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Foi numa segunda feira de setembro a cinco anos atrás. Engraçado que não me lembro do dia.. Do momento sim, me lembro com detalhes.. mas são como flashes… como se não fossem comigo mas me trazem uma sensação de enjôo, de mal estar. Eu estava no banho quando descobri um caroço duro e firme, do tamanho de uma azeitona, debaixo do braço.

 

Meu coração disparou, ouvi um barulho agudo no fundo do ouvido, os cabelos da cabeça eriçaram… era a sensação da adrenalina percorrendo minhas veias. Chamei o meu marido para ver. E com o sorriso sem graça ele disse: “não é nada! Amanhã vamos ao medico!” Mas ele também se preocupou.
Quando fomos à médica já se haviam passados alguns dias e já havia uma dose de esperança que continha as minhas lágrimas e me deixava dormir.

 

Ela abriu o exame, respirou fundo e disse: “Infelizmente precisaremos entrar com quimioterapia neo adjuvante, mastectomia provavelmente radical e radioterapia!” – “não entendi..” – respondi. “Vc está me dizendo que eu estou com câncer Dra?” perguntei. – “ESTOU!”

 

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…………………Piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!! O barulho agudo agora no fundo do meu ouvido parecia que ia explodir meu cérebro. Não conseguia entender e ouvir o que a Dra dizia. Só percebia o movimento dos seus lábios. Meu marido me olhou com os olhos arregalados e fundos, os lábios sem cor, a respiração entrecortada. Saímos do consultório sem rumo. Atravessamos a avenida várias vezes em círculos. Não sabíamos para onde ir. O que fazer? E o pensamento constante que me assolava: “Eu ia morrer? Meu Deus… eu ia morrer!”

 

Não tem como explicar esta sensação. É como se de repente te tirassem um véu e você tivesse por um momento a noção real de tudo. Seus sentidos ficam acesos, sensíveis. Sua mente fica em estado de alerta. Não é só adrenalina o que eu senti. É a noção exata de estar vivo. Dava pra sentir o ar fazendo força e entrando nos pulmões. Dava pra se ouvir qualquer barulho ou até as batidas do coração. Naquela noite voltamos pra casa e enquanto meu marido dormia, eu chorei.

 

Eu estava muito nova para morrer, tinha só 32 anos; não tinha filhos, não tinha viajado o tanto que queria, não tinha ficado tempo suficiente com meus pais, não tinha passado noites rindo com a minha irmã, não tinha me divertido o suficiente com meus amigos, não tinha voltado a fazer capoeira, não tinha conhecido outro país, não tinha reformando minha casa, não tinha….. mas eu tinha que ser resignada e aceitar os designos de Deus.
E esse sentimento de derrota e aceitação se arrastou até eu ouvir de um amigo a quem tenho muita admiração me dizer: “

 

..Seu conceito de resignação está completamente errado! Resignação é uma aceitação ativa dos males que nos acontecem. Aceitação ativa significa: Sim, o problema existe e é um fato. Porém ele não é determinante do seu fim. O fim depende de você. Se você acredita em um Deus infinitamente justo e misericordioso então deve acreditar e entender que as provações da vida não são feitas para a gente sucumbir a elas e sim vencê-las. Tenha fé!!”

 

Desde então mudei minha postura diante da vida. Não tinha mais pena de mim mesma. Não me perguntava: “ Por que eu?” e sim: “Por que não eu?” Não ficava imaginando o que eu não tinha feito, agora fazia planos para o futuro. Só que agora os planos eram bem melhores. Eu não ia perder mais meu tempo com coisas fugazes.

 

Então veio a quimioterapia! O terrível vilão que te deixa de cabelo em pé – em sentido figurado, lógico! A “melhor cena” explorada pelos filmes. Vômitos, diarréias, perda de peso… nada disso!!! A medicação (como é chamada agora até mesmo para tirar o estigma neurolinguístico do nome quimioterapia) está mais seletiva. Não agride tanto o corpo. E existem medicamentos bem mais eficazes para combater os efeitos colaterais da droga.

 

Minha rotina era: fazer a medicação (que durava em torno de 3 horas. Não! Eu não ficava internada!), depois dar uma volta no shopping, depois íamos a um barzinho (eu e meu marido) e voltava pra casa. Eu não parei de trabalhar durante o tratamento. Claro que trabalhei menos. Não atendia pessoas gripadas ou com outras doenças que pudessem me transmitir já que meu sistema imunológico estava muito baixo. Fiz acompanhamento com nutricionista. Não quis, por opção, fazer acompanhamento com psicólogo, eu tinha um marido que era e é o meu apoio, a força que me impulsionava para frente!

 

O cabelo caiu após 15 dias da primeira medicação. Não foi traumatizante para mim. Eu queria viver! Cabelo era o de menos para mim. E outra: minha peruca era LINDAAA!!! Sinceramente, acho que fiquei mais bonita naquela época, eu me amava mais que antes.

 

Depois veio a cirurgia. Não escolhi tirar as duas mamas ou remover um quadrante; em minha opinião, quem deve decidir isto é o medico. E eles decidiram que seria uma mastectomia radical – retirada total da mama esquerda, com reconstrução imediata. Foi a primeira vez que senti necessidade de procurar ajuda psicológica. Não que meu marido não me ajudasse, mas nesse caso eu também tinha medo da repercussão que isto traria para a nossa relação.

 

Mas não há nada que o amor não supere!! Nunca me senti tão amada como no período do meu tratamento. E o amor que eu e ele construíamos a cada dia se fortalecia. Não havia piedade nos olhos dele. Havia carinho, amor e desejo. Seguimos juntos todos os percalços desta etapa das nossas vidas.
Depois veio a radioterapia e…. fim. Estava curada! Agora eram os exames de rotina – comuns e necessários a qualquer mulher que se cuida e se ama!

 

O que aprendi desta experiência?
– Que estamos sujeitos a todas as vicissitudes da vida porque estamos vivos. A escolha de ser ou não felizes depende de nós mesmos, da maneira como encaramos a vida!

 

– Que não dá para adiar para ser feliz pro final. Não importa o final!!!! Porque a gente não sabe quando acaba. O que importa é o meio. É a caminhada inteira!

 

– Que viver é melhor que ter. Nunca mais trocar um pelo outro!

 

– Que mesmo depois de passar por um problema enorme, maior do que você imaginava poder suportar, você passará por outros, às vezes bem maiores! Porque vencer não te dá créditos. Nem te faz melhor! Você não vira santo! Você só constata que é capaz. Que pode!

 

 

E é essa a grande mágica, o grande presente da vida: te dar outra chance … só que com poderes maiores: o poder da vontade, do querer!
Meu nome é Raissa Veloso de Lima Pinheiro. Sou filha de Adair Cardoso de Lima e Maria Reis Veloso Lima. Sou irmã de Larissa Veloso de Lima Araujo. Sou casada com Frederico Laterza Pinheiro à 9 anos. Sou dentista especialista em Ortodontia e Ortopedia. Nasci em Montes Claros (MG) e moro em Uberaba(MG) a 18 anos. E esta é só uma parte da minha historia, quando tive o diagnostico de câncer de mama.

 

 

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Perfil
Mona Lisa Bevilacqua

Empresária, Graduada em Farmácia Industrial, Pós-graduada
em Manipulação Magistral Alopática, MBA em
Cosmetologia e
com cursos de
cosméticos realizados
em Paris e Mônaco.
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